Os ponteiros do relógio, desenhados com o sangue de mais uma vítima no relógio da sala 59, agora marcava exatamente seis horas. O que significava isso ninguém tinha certeza, mas corriam rumores de que seria o horário de mais um dos ataques. Mesmo assim nem dava para saber se eram 6 horas da manhã ou da tarde.
-Meus pais estão pensando em me tirar da escola- disse Melanie com pesar.
Acordando subitamente de meus pensamentos respondi a ela quase gritando o que fez o professor olhar para nós com cara feia.
-Não! Como eu vou ficar se você se for? Eu não tenho nenhum amigo!
-Eu sei, por isso estou tentando fazer eles reconsiderarem a idéia. Mas você também deveria pensar em se transferir, seus pais ainda não souberam dos ataques? Garotas estão sendo encontradas mortas em jardins, salas de aula, a ultima vítima foi encontrada na cozinha do refeitório!- disse Mel com cada vez mais tristeza na voz, afinal a ultima vítima era nada mais que sua própria prima, o que explicava a pressa que seus pais tinham em transferi-la daqui.
-Sim, mas agora o meu pai só liga para o seu “Futuro Herdeiro”- disse com a mesma voz de nojo que uso quando falo de minha madrasta.
-Mas eles têm que pensar na sua segurança e na de suas irmãs também!
Lembrando de repente de minhas irmãs, ambas mais novas me despedi de Mel com um aceno.
Elas ainda estavam nas salas de aula como eu recomendei. Busquei primeiro Sara, minha irmã caçula e depois fomos juntas buscar a minha irmã do meio, Sabrina, a mais rabugenta de nós três, apesar de eu saber e entender o seu sofrimento. Perdemos nossa mãe quando ela ainda tinha cinco anos e eu 9, Sara ainda nem tinha um ano de idade. Depois, meu pai a trocou por Pauline, nossa madrasta mais que irritante, nem ligava para nós então eu sozinha tive que criar minhas irmãs. Tudo piorou agora, oito anos depois, que Pauline está grávida de um menino, o primeiro da família, o que fez meu pai esquecer ainda mais de nós.
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