Deixei cada uma em seu dormitório e voltei para o meu.
Melanie ainda não havia chegado então decidi ir tomar banho e fazer o dever.
Já eram dez horas e Melanie não havia chegado, por ser sempre muito certinha Melanie nunca fica de castigo, o que me fez ficar cada vez mais apavorada, quando o relógio soou dez e meia vesti meu casaco e saí a procura dela, olhei em todas as salas que havíamos freqüentado hoje e não a achei, com muito medo fui até o refeitório onde a achei caída no chão no meio do refeitório, sai correndo na sua direção preocupada achando que ela estava morta, mas minha preocupação fugiu e em seu lugar estava um medo que nunca havia sentido, quando ouvi um barulho vindo da cozinha, chequei sua respiração e seu pulso, mesmo não estando morta estava fraca, mais uma vez ouvi um barulho na cozinha, segurando uma Melanie quase morta saí correndo dali deixando a porta destrancada.
Voltar ao dormitório com Melanie nas costas foi uma tarefa difícil, mas antes mesmo de chegar lá, senti Melanie parar de respirar. Parei de correr, coloquei-a delicadamente no chão e chequei seu pulso, dei um grito de horror ao não sentir absolutamente nada. Ainda com esperanças chequei seu pescoço e dando mais um grito comecei a chorar ao mesmo tempo em que começou a chover.
-Sinto muito- disse uma voz no escuro da noite
-Q-q-quem está aí?- sussurei para a noite sem ver ninguém
-Sinto muito- a voz continuava dizendo
Me levantei e comecei a procurar por alguém, frustrada ao não encontrar ninguém saí correndo em direção ao pequeno bosque que havia ali. Aquele bosque foi o lugar que eu e Melanie havíamos escolhido para ser nosso, afinal foi lá que nos conhecemos há cinco anos quando ela entrou nessa escola que agora parecia mais um inferno. Eu estava fugindo da aula enquanto ela estava se escondendo, ambas eramos fracas mas eu acredito que quando duas pessoas fracas se encontram elas se tornam fortes. Aquele bosque passou a ser o nosso esconderijo sempre que uma sumia a outra sabia onde a encontrar, foi assim que a nossa amizade foi crescendo.
Ao chegar, ao que me pareceu, ao centro do bosque que estava cada vez mais escuro, tropeçando em galhos e raízes das grandes àrvores que cobriam o céu sem estrelas até que estava tão cansada que tropecei nos meus próprios pés. Não me levantei. Continuei ali chorando até que adormeci. Só percebi que estive dormindo por causa de alguém que acariciava meus cabelos. Quando me levantei assustada vi o rosto de uma pessoa que nunca havia visto na vida mas que me parecia estranhamente familiar...
Continua...